diary

utopicamente falando

Deixaste-me acreditar que era real. Que as nossas mãos entrelaçadas não seriam só mais umas mãos entrelaçadas, fizeste-me acreditar que seriam os nossos mundos a colidir. Que quando nos beijámos as estrelas estavam alinhadas.

(…)

Lembro-me de te dizer que não gostava de promessas. Ainda assim gostava que, no silêncio, tivesses não-prometido que ias ficar. Mas tu sempre foste o mestre do romance, ou devo chamar-lhe ilusão? Com a tua música e o teu sorriso, com as tuas piadas e viagens de carro. Com o teu olhar.

Gostava quando me respondias, mesmo sem eu ter perguntado, que gostavas de olhar para mim. Mas tudo não passou dum jogo, dum desafio. Ironia porque todos os sinas estavam em cima da mesa. Quando te deixava nervoso e insistias em brincarmos com palavras, brincarmos de falar verdade a mentir. Era aí que devia ter desconfiado? Não o fiz, mas mesmo assim não me arrependo.
Porque quando te disse que tudo isto era uma utopia… Que o amor é uma utopia que criamos à força de escaparmos da solidão, tu não aguentaste em provar-me o contrário. Mas já Manel Cruz dizia que O amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura.

Mas talvez tudo tenha sido uma ilusão porque afinal tudo isto não passa duma utopia…

palavras perdidas de 2016

 

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2 thoughts on “utopicamente falando

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