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utopicamente falando

Deixaste-me acreditar que era real. Que as nossas mãos entrelaçadas não seriam só mais umas mãos entrelaçadas, fizeste-me acreditar que seriam os nossos mundos a colidir. Que quando nos beijámos as estrelas estavam alinhadas.

(…)

Lembro-me de te dizer que não gostava de promessas. Ainda assim gostava que, no silêncio, tivesses não-prometido que ias ficar. Mas tu sempre foste o mestre do romance, ou devo chamar-lhe ilusão? Com a tua música e o teu sorriso, com as tuas piadas e viagens de carro. Com o teu olhar.

Gostava quando me respondias, mesmo sem eu ter perguntado, que gostavas de olhar para mim. Mas tudo não passou dum jogo, dum desafio. Ironia porque todos os sinas estavam em cima da mesa. Quando te deixava nervoso e insistias em brincarmos com palavras, brincarmos de falar verdade a mentir. Era aí que devia ter desconfiado? Não o fiz, mas mesmo assim não me arrependo.
Porque quando te disse que tudo isto era uma utopia… Que o amor é uma utopia que criamos à força de escaparmos da solidão, tu não aguentaste em provar-me o contrário. Mas já Manel Cruz dizia que O amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura.

Mas talvez tudo tenha sido uma ilusão porque afinal tudo isto não passa duma utopia…

palavras perdidas de 2016

 

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Cranes in the Sky

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It’s been said that love finds you when you’re ready. Mas eu não acredito, apaixonamo-nos quando menos esperamos. Quando menos queremos. Apaixonamo-nos num piscar de olhos. Na troca de sorrisos. No chão da sala, enquanto a luz do candeeiro da rua entra pela janela. Enquanto o mundo corre lá fora e nós continuamos na carpete da sala a ouvir a chuva, como se o mundo parasse de girar.

Sempre acreditei que uma história como a nossa ia ser mais bonita. Ia ter mais noites em casa, contigo a cozinhar para mim. Ia ter mais noites de cinema. Ia ter mais tempo para me habituar ao cheiro do teu cabelo, ainda húmido do banho. Sempre pensei que ia ter mais romance. Mas agora questiono-me: que história estou eu a falar? Talvez a história que eu sempre quis que tivéssemos e sempre neguei. Mas nós não passámos de “algo” que tu nunca deixaste que fosse uma história pois não? Algo indefinido. Sempre assim quiseste e sempre assim foi. Sempre foi o único jogo que me deixaste jogar, o teu.

(…)

Quando me falaste do nosso amor eu ri-me de ti. Como poderia eu acreditar, quando foste tu que nunca me levaste a sério? Como posso eu acreditar? Não podia, não quando sempre te escondi o que sentia, quando sempre ignorei o óbvio.
Mas o erro foi meu. O erro foi ter achado que não me iria magoar e que não te iria querer. Foi ingénuo da minha parte pensar que poderia continuar a jogar este jogo, a conhecer-te sem me apaixonar, quando a tua voz sempre me fez estremecer. É hipocrisia da minha parte dizer que não sabia que ia acabar aqui, sem ti. O erro foi ter pensado que não me iria apaixonar.

Mas o erro foi sempre meu.

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29 de Abril

É hoje o dia. Seria hoje o dia. Dia em que farias anos, se ainda cá estivesses. Já não te tenho escrito, não porque me lembro menos de ti mas porque sinto menos necessidade, o tempo ajuda um bocadinho. A última vez que te escrevi ainda ouvia, na minha cabeça, o teu riso. Mas agora já não, e é o que custa mais. Mas sabes, o primo está cada vez mais parecido contigo, aquele vicio que tinhas de esticar a camisola enquanto falavas quando as atenções estavam todas direccionadas para ti, também ele o tem.

(…)
Dizem que a primeira coisa que se esquece é a voz, hoje posso dizer que concordo.

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Pensamentos de Meia Noite

Quando é que vocês deixaram de nos querer conhecer?
Quando é que o whatsapp substituiu uma conversa num café?
Quando é que o snapchat passou a ter mais importância do que olhar nos olhos de alguém?
Quando é que se decidiu que ia ser assim?
Quando é que a vida virtual passou a ter mais importância que a vida real?
Quando é que um primeiro encontro deixou de ser para trocas de olhares e sorrisos e passou a ser um jogo de levar para a cama?
Onde ficou a magia do querer conhecer, das borboletas na barriga?
Talvez tenha ficado no passado juntamente com o romantismo.

Ou talvez ainda não tenha chegado a pessoa que vai ficando.

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