diary

Cranes in the Sky

img_2897

It’s been said that love finds you when you’re ready. Mas eu não acredito, apaixonamo-nos quando menos esperamos. Quando menos queremos. Apaixonamo-nos num piscar de olhos. Na troca de sorrisos. No chão da sala, enquanto a luz do candeeiro da rua entra pela janela. Enquanto o mundo corre lá fora e nós continuamos na carpete da sala a ouvir a chuva, como se o mundo parasse de girar.

Sempre acreditei que uma história como a nossa ia ser mais bonita. Ia ter mais noites em casa, contigo a cozinhar para mim. Ia ter mais noites de cinema. Ia ter mais tempo para me habituar ao cheiro do teu cabelo, ainda húmido do banho. Sempre pensei que ia ter mais romance. Mas agora questiono-me: que história estou eu a falar? Talvez a história que eu sempre quis que tivéssemos e sempre neguei. Mas nós não passámos de “algo” que tu nunca deixaste que fosse uma história pois não? Algo indefinido. Sempre assim quiseste e sempre assim foi. Sempre foi o único jogo que me deixaste jogar, o teu.

(…)

Quando me falaste do nosso amor eu ri-me de ti. Como poderia eu acreditar, quando foste tu que nunca me levaste a sério? Como posso eu acreditar? Não podia, não quando sempre te escondi o que sentia, quando sempre ignorei o óbvio.
Mas o erro foi meu. O erro foi ter achado que não me iria magoar e que não te iria querer. Foi ingénuo da minha parte pensar que poderia continuar a jogar este jogo, a conhecer-te sem me apaixonar, quando a tua voz sempre me fez estremecer. É hipocrisia da minha parte dizer que não sabia que ia acabar aqui, sem ti. O erro foi ter pensado que não me iria apaixonar.

Mas o erro foi sempre meu.

Standard
diary

29 de Abril

É hoje o dia. Seria hoje o dia. Dia em que farias anos, se ainda cá estivesses. Já não te tenho escrito, não porque me lembro menos de ti mas porque sinto menos necessidade, o tempo ajuda um bocadinho. A última vez que te escrevi ainda ouvia, na minha cabeça, o teu riso. Mas agora já não, e é o que custa mais. Mas sabes, o primo está cada vez mais parecido contigo, aquele vicio que tinhas de esticar a camisola enquanto falavas quando as atenções estavam todas direccionadas para ti, também ele o tem.

(…)
Dizem que a primeira coisa que se esquece é a voz, hoje posso dizer que concordo.

Standard
diary

Pensamentos de Meia Noite

Quando é que vocês deixaram de nos querer conhecer?
Quando é que o whatsapp substituiu uma conversa num café?
Quando é que o snapchat passou a ter mais importância do que olhar nos olhos de alguém?
Quando é que se decidiu que ia ser assim?
Quando é que a vida virtual passou a ter mais importância que a vida real?
Quando é que um primeiro encontro deixou de ser para trocas de olhares e sorrisos e passou a ser um jogo de levar para a cama?
Onde ficou a magia do querer conhecer, das borboletas na barriga?
Talvez tenha ficado no passado juntamente com o romantismo.

Ou talvez ainda não tenha chegado a pessoa que vai ficando.

Standard
diary

Onde te refugias do mundo?

IMG_6839 IMG_6851IMG_6844 IMG_6845IMG_6834 IMG_6833Gosto de pensar que todas as pessoas têm o seu refúgio, ou talvez seja só eu, mas de qualquer das maneiras este é o meu esconderijo.
Fiquei ali imenso tempo, a ver o sol ir-se embora e a ouvir o mar. A praia. Estava completamente deserta, já não sentia os pés, a areia já estava fria, acabei por me sentar ali mesmo.

Standard
diary

Borboletas na Barriga

O nervosismo aumenta à medida que a hora se aproxima. Já não dá para fingir que aquilo não é importante, não dá para esconder que não me incomoda. As borboletas na barriga, já as consigo sentir a esvoaçarem no meu estômago. Começo a questionar-me se trouxe a roupa certa, tenho um laço preto no colarinho da minha camisa branca e o colete, também, branco de pêlo, honestamente, não me aquece o suficiente. A insegurança começa a tomar conta da minha auto-estima.

Decido ir a pé assim que saio do comboio, andar sempre me fez bem nestas situações, ou talvez sejam as ruas de Lisboa que me acalmam, não sei bem.

(…)

Não pensei voltar novamente áquele lugar, tinha um agradável cheiro no ar e o soalho antigo refletia os raios de sol, o que normalmente me deixa com uma felicidade estúpida, mas não hoje. As minhas mãos estavam gélidas mas suadas, odiava aquela sensação. O mundo parecia ter parado ali dentro e eu era a única pessoa que tinha as mãos a tremer e até mesmo o meu cabelo expelia eletricidade estática.

Mas eu tinha a certeza que era ali que eu queria estar, tinha a certeza que era ali que eu pertencia. Tinha a certeza

Bom dia Vanessa, como está?

Acabo por me levantar da cadeira onde estava sentada, parecia uma eternidade, e assim começa a entrevista.

Standard